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Quem somos nós?

Quem é você? Hum… Uma pergunta tão curta quanto essa não é tão simples de responder quanto parece! Por que é tão difícil responder a esta pergunta?! Responder quem nós somos com alguma profundidade é um pouco difícil, mas não é impossível. Requer esforço, reflexão e consulta ao nosso “manual do fabricante” – a Bíblia Sagrada. Para saber o que nós queremos ser no futuro, precisamos começar respondendo o que nós somos. Para isso devemos nos voltar para a Bíblia e perguntar a ela quem nós somos como igreja de Deus. Escrevendo a cristãos da “diáspora” (1 Pe 1.1: NVI: “peregrinos dispersos”, ARA: “Dispersão”), o apóstolo Pedro resume muito bem o que a igreja é: Leia o resto deste post

Igreja: Coluna e baluarte da verdade

Como cristãos, devemos conhecer o que significa ser igreja. Paulo, escrevendo a Timóteo, qualifica a igreja como coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15). Com as palavras coluna e baluarte, Paulo exibe a figura de uma construção que tem alicerces e estruturas. Sobre estas estruturas está erguida a verdade. O papel da igreja não é definir a verdade, mas sim exibi-la, exaltá-la e proclamá-la. É certo, porém, que, mesmo a igreja não sendo a dona da verdade, ela é a agência escolhida e preparada por Deus para a manutenção da verdade. Nas palavras de João Calvino:

A Igreja mantém a verdade porque, por meio da pregação, a Igreja a proclama, a conserva pura e íntegra, a transmite à posteridade… O silêncio da Igreja significa o afastamento e a supressão da verdade.

Visto que temos a responsabilidade de sustentar a verdade, resta saber o que Paulo quer dizer por verdade. Muito poderia ser dito a respeito do conceito de verdade, mas há um breve texto bíblico que explica de forma simples e clara o que é a verdade que a Igreja tem por responsabilidade sustentar:

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14.6)

Jesus é a verdade. É isso que precisamos proclamar! Jesus Cristo, que pregou o evangelho, sendo ele próprio o assunto principal do evangelho, é o ponto focal da proclamação (kerigma) e da prática (praxis) da igreja. Muitas igrejas hoje têm reduzido o evangelho a um conjunto de programas, atividades, ou normas que podem até ser boas, mas não partem do princípio básico de que, pelo pecado, o homem está completamente afastado de Deus e que, através de Jesus, Deus restaura esse relacionamento rompido. Essa mensagem deve permear tudo o que fazemos ou falamos. Nossa missão é levantar a Cristo, para que todos possam vê-lo! Sendo assim, as nossas igrejas será verdadeiramente evangélica.

Felizes e obedientes

No último carnaval a IECI, juntamente com a IEC Atibaiense (Atibaia – SP) e a IP Moriah (Americana – SP), realizou o primeiro Impacto Jovem. A programação, idealizada pelo Pr. Roberto Rodrigues da IECA, consistiu basicamente de evangelização de porta em porta. Durante todo o carnaval, pudemos apresentar o evangelho de Cristo andando pelas ruas da nossa cidade enquanto sofríamos com o sol escaldante. Mas que privilégio! Ninguém que participou do Impacto deixou de experimentar uma tremenda alegria por obedecer ao Ide do Senhor.

Costumamos separar obediência e alegria. Pensamos que obedecer é sempre um fardo pesado a ser levado. Olhamos para a obediência como se ela fosse a grande responsável por nossa infelicidade. Nada poderia ser tão falso! E o Impacto jovem provou para todos aqueles que participaram que esta idéia está equivocada. Não apenas podemos experimentar alegria enquanto obedecemos a Deus, mas a obediência é a única forma de sermos felizes! Na verdade, ser obediente inclui ser feliz. O Senhor nos manda: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos” (Fp 4.4). Se nós formos infelizes não estaremos obedecendo a Deus. Isto forma um ciclo: Para ser feliz é necessário obedecer; Para obedecer é necessário ser feliz. Isso faz com que sejamos mais felizes à medida que somos mais obedientes e mais obedientes à medida que somos mais felizes. Todos que serviram no Impacto Jovem, seja na evangelização, na cozinha ou na hospedagem, experimentaram um pouco disso.

E você? O que você está fazendo para ser mais “feliz/obediente”?

Impacto Jovem

No carnaval passado, aconteceu em Itajubá o primeiro Impacto Jovem, com participantes da IECI (Itajubá), IECA (Atibaia), IP Moriah (Americana) e outras igrejas de diversas cidades. Nos trabalhos de evangelização pessoal, foram abordadas mais de 815 pessoas, das quais mais de 100 pessoas se mostraram abertas ao evangelho.

No filme abaixo, o Pr. Roberto Rodrigues mostra um pouco do que foi o Impacto Jovem em Itajubá.

Satisfazendo-se em Deus

Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente. (Salmo 16.11)

Este pequeno versículo foi o texto base da pregação do culto de ano novo da Igreja Evangélica Congregacional de Itajubá. Não quero repetir o que preguei, mas compartilhar um pouco o que pretendemos trabalhar como igreja neste ano de 2010 e quais são os desafios que vêm juntos com este propósito.

O tema que escolhemos para este ano é “Satisfazendo-se em Deus” e pretendemos falar repetidamente da alegria que podemos ter ao buscarmos, estarmos e nos mantermos na presença de Deus. O que te faz alegre? A resposta a essa pergunta tem relação direta com o que você está pensando quando vem cultuar a Deus, para citar apenas um exemplo. Muitos estão pensando nos problemas do trabalho, nas atividades domésticas, no vestibular, na próxima prova, em quanto é melhor estar com os amigos do mundo ao invés de “assistir” a um culto chato etc. Alguns passam o culto inteiro pensando na pizza que os aguarda em casa. A verdade é que facilmente nos desviamos daquilo que mais pode nos fazer felizes para atentar para prazeres passageiros e mundanos. Somente Deus pode nos fazer felizes. Apenas quando estamos com Ele, confiando nEle, dependendo dEle experimentaremos felicidade. Não permita que o mundo lhe diga que estar com Deus é algo improdutivo! Não permita que o sistema satânico deste mundo faça a sua cabeça! Na presença de Deus é onde encontramos todo o prazer de viver! Na obediência a Ele habita toda a liberdade! Somente nos seus caminhos podemos realmente viver!

Além de estimulá-lo a buscar a Deus, também preciso alertá-lo: Estamos em uma guerra. E esta violenta batalha ocorre dentro de nossos corações. Como filhos de Deus queremos estar com o Pai, mas como homens pecadores ainda sentimos atração pelo vômito da antiga maneira de viver. A batalha é ferrenha e o campo de batalha é traiçoeiro. Todos sabem que nossa casa foi roubada no mês passado. Este “acidente do terreno” serviu para testar se nossa alegria estava nas coisas que foram roubadas ou no Deus que nos deu todas elas. Buscar alegra-se em Deus envolve abandonar a alegria nas coisas que Deus nos dá.

A vontade do Senhor é que sejamos vitoriosos na batalha por uma vida que encontre plena satisfação nEle. Para experimentarmos isto, precisamos passar pela “renovação da nossa mente” para que nada além da glória de Deus nos dê alegria. Que todos nós sejamos felizes por fazermos Deus feliz!

Uma igreja excelente

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A partir de uma conversa com um pastor amigo e reflexão pessoal sobre o que é uma boa igreja, decidi colocar aqui no blog algumas características que me chamaram a atenção em uma igreja que eu pude conhecer em tempos relativamente recentes, a Igreja Batista em Cavaleiros. Esta igreja, segundo a minha limitada visão, reúne características de uma igreja que busca ser excelente. Ao tratar deste assunto, alguns podem pensar que citarei estruturas, prédios, oradores fenomenais, programas ou algo do tipo. Na verdade, tenho me aproximado cada vez mais da idéia de que todas essas coisas não constituem verdadeiro critério para se avaliar uma igreja. Penso que os elementos mencionados acima podem até estar presentes, mas é possível uma igreja ter tudo aquilo e ser uma congregação medíocre. Quais características eu percebi na Igreja Batista em Cavaleiros (IBC) e que podem ser consideradas marcas de excelência?

  • Centralidade da Palavra. A palavra de Deus é o centro de tudo o que se faz ou fala na igreja. A pregação, o ensino, o aconselhamento e a disciplina da igreja são fundamentados na Bíblia. Esse item pode parecer óbvio, porém muitas igrejas têm dado mais atenção em como a Palavra vai ser transmitida do que na própria Palavra. Isso faz com que a igreja se torne escrava da tirania dos métodos, típica desta nossa época de pragmatismo.
  • Simplicidade. Tudo na IBC é simples. Quem está acostumado a um grande culto-evento leva um choque, como eu levei no início. No entanto, cada vez mais este ambiente simples vai lhe abrindo o coração para adorar a Deus “em Espírito e em verdade”. A música não é o centro do culto, o pastor não é o foco das atenções, apenas Deus conforme revelado em Sua Palavra é exaltado.
  • Liderança amorosa. É notório para qualquer pessoa que entrar na IBC que os seus pastores e líderes amam profundamente o rebanho que Deus os confiou. Isso é observado em contato relevante, bíblico e ativo.
  • Amor por missões. Isto é demonstrado não apenas pela liderança, mas por toda a igreja que se preocupa, contribui, participa e ora pelos projetos missionários da igreja.

Em linhas gerais foram estes elementos que eu percebi na IBC durante o pouco tempo em que estive lá. Não afirmo que não haja problemas nem áreas que precisam ser corrigidas, mas espero poder, como pastor iniciando o seu ministério, saber avaliar com os olhos de Deus o rebanho que ele me confiou e ser usado pelo Senhor para que a IEC de Itajubá também seja cada vez mais uma igreja excelente.

Verdadeira pregação

preacherAtualmente, estou lendo o livro “Pregação e pregadores” de D. Martyn Loyd-Jones, editado pela Editora Fiel. Comecei a leitura, pois tenho sido impelido, neste início de ministério pastoral, a pensar sobre o meu papel como responsável por levar a mensagem do evangelho à congregação que o Senhor me tem confiado, domingo após domingo. Algo que me frustrou durante esses poucos domingos nos quais tenho pregado na IECI é a constatação de que muito dentre a pouquíssima habilidade homilética que pude receber no meu curso de teologia se havia perdido após os anos em que fiquei restrito ao ministério de ensino no Seminário. Por isso decidi voltar às páginas deste maravilhoso livro.

A leitura toda tem sido muito proveitosa. No entanto, achei por bem, para o meu próprio proveito e para o benefício de todos quantos quiserem, reproduzir de modo resumido as características mencionadas por Loyd-Jones do “ato de pregar”, descritas por ele no capítulo cinco do livro mencionado acima:

O envolvimento total da personalidade do pregador: no ato de pregar “todas as faculdades do pregador devem estar empenhadas” (p. 59). O pregador não pode envolver apenas seus lábios na pregação, mas todo o seu corpo e todas as suas emoções devem estar empenhados na ação de proferir a mensagem.

Senso de autoridade: O pregador deve se postar diante de sua congregação como alguém que é comissionado para a sublime tarefa de pregar. O pregador deve se apresentar à congregação na qualidade de um mensageiro enviado (p. 60).

Liberdade: O pregador deve se sentir livre durante o ato da pregação, não estando preso ao que foi preparado de antemão. O pregador deve ser sensível à inspiração do momento (p. 61). A orientação do Espírito Santo deve dar o rumo da pregação. O Sermão só estará pronto depois de pregado.

Interação: O pregador deve atentar para as reações da congregação. Isso será de grande auxílio e encorajamento, pois a congregação pode ser fonte de subsídios para o pregador, se ele se mantiver livre para seguir as orientações do Espírito durante a entrega do sermão.

Seriedade: O pregador “jamais pode transmitir a impressão de que a pregação é algo leviano, superficial, ou trivial” (p. 62). É própria para o pregador uma postura que transmita aos seus ouvintes a suprema importância dos assuntos por ele tratados. Seriedade, contudo, não significa que o pregador deve ser triste, antes ele deve ser “vívido e sério ao mesmo tempo” (p. 63).

Zelo e senso de preocupação: O pregador deve transmitir que está cativado pelo que está dizendo.  Por estar absorvido e entusiasmado com o assunto ele se preocupa com os que ouvem. Ele deve estar cônscio das verdades de Deus a ponto de anelar profundamente que sua congregação apreenda essas verdades. O pregador precisa se mostrar totalmente envolvido com o que está sendo pregado.

“calor”: O pregador precisa ser comovente, por já ter sido comovido pela mensagem. Ele jamais pode se apresentar frio diante da mensagem. “Um homem que não se deixa comover por essas coisas [o conteúdo da mensagem], assevero eu, jamais as compreendeu” (p. 65).

Senso de urgência: Porque não se sabe o que se dará entre um sermão e outro, o pastor tem de ter plena consciência de que “A mensagem do evangelho é algo que não pode ser adiado” (p. 66). O pregador cuida de almas e trata de assuntos eternos. Não há nada que seja mais urgente do que isso.

Persuasão: A verdadeira pregação tem como objetivo guias as pessoas até a verdade (p. 66).

Empatia e emoção: O pregador precisa nutrir profunda compaixão pelas pessoas que o ouvem. O pregador precisa amar intensamente a congregação e expressar isso demonstrando sua comoção frente às Verdades que ministra.

Poder: “Se não houver poder, também não haverá pregação” (p. 69). A pregação é ato de Deus através do pregador. O poder de Deus precisa se manifestar através das palavras proferidas por seu mensageiro.

Estas características precisam marcar os púlpitos das igrejas de hoje. Elas precisam urgentemente estar mais presentes em meu púlpito. É com temor e tremor que me coloco diante da minha congregação com a Palavra Viva aberta e tento pregar para ela. Na verdade, ao ler as últimas linhas do capítulo, percebi o quanto estou longe de pregar de verdade. Após mencionar um grande pregador norte-americano do século XIX chamado James Henry Thornwell, D. M. Loyd-Jones declara o seguinte: “Qualquer homem que já conseguiu entrever o que significa pregar, inevitavelmente sentirá que nunca pregou” (p.72). Se Thornwell e Loyd-Jones não sabiam o que é pregar, quanto mais eu! Que gigantesca ignorância e pequenez me assolam! No entanto, como esses grandes homens fizeram no passado, quero também eu nutrir pela graça divina a esperança de um dia realmente pregar de verdade.

Que Deus nos ajude!

Soli Deo Gloria!

Sou Evangélico! E daí?!?

Introdução

Tantas pessoas hoje se dizem evangélicas. Na verdade está virando moda (ou já virou!) ser crente. A cada dia sai a notícia de mais um “ex-alguma-coisa” que se converteu, ainda que muitos deles continuem vivendo a mesma vida de antes.

Em meio a tudo isso, lemos a palavra “EVANGÉLICA” nas placas de nossas igrejas. É difícil de entender, mas se somos evangélicos e outros tantos que vivem uma vida dissoluta também… O que vem a ser evangélico afinal?! Essa questão deve ser debatida, pois alguns bons cristãos têm repudiado este termo bíblico, para evitar uma identificação indevida com movimentos estranhos aos ensinamentos da Palavra de Deus. Estas pessoas abrem mão da sua identidade doutrinária e histórica, quando deveriam lutar por ela, esclarecendo o que significa ser “evangélico”.

O adjetivo “Evangélico” é derivado do substantivo evangelho, que nada mais é do que a repetição quase que idêntica da palavra grega euangelion. Esse termo é derivado de outra palavra bem conhecida de todos nós: anjo. Isso mesmo! Euangelion é parente de angelos, que quer dizer mensageiro. Literalmente ela significa boa mensagem.

O conceito é muito freqüente no Novo Testamento. O verbo euangelizo ocorre 54 vezes no NT, enquanto o substantivo euangelion é usado 76 vezes no NT. A raiz ocorre 23 vezes nos Evangelhos, 17 em Atos, 76 vezes nas cartas paulinas, 4 vezes nas epístolas gerais e 3 vezes no Apocalipse.

Evangelho de Cristo

Antes de qualquer coisa precisamos pensar no evangelho como sendo o evangelho de Cristo: as boas novas que tem a Pessoa de Jesus Cristo como mensagem e como mensageiro principal. Cristo é tanto o agente quanto o conteúdo do evangelho. Quando o anjo anunciou o nascimento de Jesus ele disse aos pastores: “não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” Lc 2.10,11. O nascimento de Jesus é uma boa notícia, não apenas pelo fato de ter nascido mais um profeta. Não era apenas um profeta que havia nascido, mas sim aquele para quem todas as profecias anteriores apontavam. Jesus Cristo, por ser o salvador da humanidade é o próprio conteúdo do evangelho. Logo, quando falamos evangelho de Cristo estamos nos referindo à notícia que não apenas é de Jesus, mas à maravilhosa mensagem sobre Jesus e que nos foi dada pelo próprio Jesus.

Tendo esse conceito em mente, vamos observar a exortação de Paulo aos crentes de Filipos que encontramos na carta aos Filipenses 1.27: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;”.

Neste versículo o apóstolo Paulo ordena que os seus leitores vivam de modo digno do evangelho de Cristo. Interessante notar que aqui nada de especial há na ordem em si. Paulo simplesmente ordena que seus leitores vivam. O sentido desse verbo aqui é “levem a vida”. Parece uma ordem inútil se não fossem duas expressões: “somente” (Conforme a ARC; ARA: “acima de tudo”; NVI: “Não importa o que aconteça”) e “dignamente” (ARA: “por modo digno”; NVI: “de maneira digna”). Paulo estava dizendo que a única forma de viver admissível é aquela que é digna do Evangelho de Cristo. Há muitas maneiras de viver, mas a única que os leitores de Paulo deveriam admitir é a que pode ser considerada digna do evangelho de Cristo.

Ora, viver de modo digno do evangelho de Cristo é viver conforme o evangelho de Cristo. Para isso não é necessário parar de viver ou viver em “outro mundo”, mas viver a vida na terra sabendo que somos do Céu. Cristo é o conteúdo do evangelho, logo nós devemos imitá-lo em nossa maneira de viver. Além disso, ele deixou diversas ordens e promessas que devem ser vividas pelos seus discípulos. Uma dessas ordens é expressa de forma bem clara no restante do versículo que estamos lendo: “para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;”. Nessas palavras, Paulo mostra a importância da unidade para que possa ser vivida a vida conforme o evangelho. Ele esperava que os crentes de Filipos estivessem sempre “firmes em um só espírito”, com um só ânimo, lutando juntos pela fé evangélica. Um bom exemplo prático de como viver de modo digno do evangelho de Cristo é este: viver buscando a unidade da igreja em torno da fé evangélica.

Evangelho de Salvação

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego;” Romanos 1.16. Paulo tinha plena convicção de que a mensagem do evangelho não era apenas uma mensagem que mostrava Cristo como salvador, mas que ele era o veículo para a salvação. O próprio evangelho é poder de Deus para salvação. Deus opera seu grande poder através de algo que nós ouvimos e entendemos. Uma vez que se crê neste evangelho que é loucura para os homens, recebemos de Deus a sua salvação, comprada pelo seu Filho.

É por isso que Paulo mostra a Palavra de Deus como veículo necessário à conversão: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” Rm 10.17. Precisamos refletir um pouco sobre este tema. Paulo não quer dizer aqui que só se pode crer em Cristo na hora do Sermão pregado por um pastor. Nem tampouco ele quer dizer que só é convertido por Deus quem atende a um apelo. Na verdade Paulo está mostrando como a verdadeira conversão ocorre necessariamente como resposta ao evangelho que é pregado. Não há conversão emocionalista, ainda que muitas vezes o “crer” envolva alguma emoção. A fé é oriunda de um conhecimento básico que envolve pelo menos algum ensino bíblico acerca da majestade e santidade de Deus, a pecaminosidade e a miséria humanas e a redenção divina ministrada através de Cristo Jesus.

Não tentemos pregar um evangelho alheio a isso, tentando ser coniventes com as necessidades do “homem moderno”. Não tentemos pregar um evangelho que tem como centro afirmações como: “a Igreja é um lugar legal”; “Deus vai curar seus traumas” ou “Torne-se crente e todos os seus problemas irão acabar”. Muitas vezes tentamos trazer pessoas para a igreja sem lhes falar de pecado ou da condenação do inferno. É lógico que o amor deve atingir todas as partes do ser humano, mas devemos fazer isso conscientes de que “o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”.

Evangelho da Igreja

Por fim, precisamos entender o evangelho como o elemento originador da igreja. O evangelho que tem Jesus como mensagem e mensageiro e é poderoso para nos salvar também produz uma comunidade de pessoas que foi reunida pelo fato comum de crerem no conteúdo central do evangelho: a salvação operada em Jesus Cristo. O evangelho é central na vida da igreja, pois é seu conteúdo que nos ajuntou e é sua mensagem que nos mantém unidos. Toda igreja verdadeiramente cristã é evangélica, pois da mesma forma como o evangelho é poderoso para salvar indivíduos ele também tem poder para produzir a comunhão dos salvos em torno de uma só fé, que é a fé evangélica.

É por esta razão que toda a vida da igreja deve emanar do evangelho. Como podemos perceber na igreja primitiva, o evangelho exercia papel central em todas as ocasiões em que eles se reuniam: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” (At 5.42). E, mesmo quando a questão em torno do sustento das viúvas surgiu (At 6), os apóstolos permaneceram priorizando a proclamação da Palavra e a oração, pois entendiam que o evangelho constitui o fator essencial à igreja cristã. Do evangelho derivam as ações da igreja. Por causa da mensagem pregada e crida ocorreram (e ocorrem até hoje) batismos (At 8.12). Por causa do evangelho a igreja prega, louva, cumpre as ordenanças de Jesus e anuncia as boas novas aos perdidos. O evangelho é a seiva que mantém a igreja viva.

Conclusão

Não vamos negar nossa identidade. Somos evangélicos, pois estamos alicerçados na boa notícia da salvação operada por Deus em Cristo Jesus. Ser cristão é ser evangélico, pois foi através do evangelho que Deus nos revelou do seu poder para dar vida aos espiritualmente mortos. E, agora que recebemos vida pelo poder do evangelho de Cristo, vivamos de modo coerente com a nova vida que temos. Somos a igreja evangélica, recebemos o evangelho, vivemos o evangelho, proclamamos o evangelho. Que nenhum outro rótulo substitua esta verdade suprema!

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