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“… a quem honra, honra”

Há pessoas que marcam nossas vidas. Algumas dessas pessoas conseguem fazer isso por possuírem alguma característica que nos cause admiração. Outras nos marcam pela forma com que se relacionam conosco. É interessante notar que, às vezes, estes dois fatores se manifestam em certas situações nas quais nada esperaríamos de positivo e Deus nos dá, como uma espécie de alento celestial, a oportunidade de conhecer pessoas que acabam por marcar nossas vidas de modo indelével.
Durante os últimos quatro anos, eu e, posteriormente, minha esposa passamos por momentos difíceis. Foi um tempo de crise ministerial, financeira e de relacionamentos. Andávamos desanimados, tristes, cansados. No entanto, Deus colocou pessoas na nossa vida que precisamos honrar. Muitos podem ser citados, mas um homem em especial marcou nossas vidas de forma maravilhosa. Este homem é o Pr. Valter Xavier, da Comunidade Batista de Campo Grande – RJ. Devo citá-lo porque, ao mesmo tempo em que nossas diferenças teológicas tenham se tornado visíveis a nós dois desde o momento em que nos conhecemos em Julho de 2008, o Senhor me permitiu ver nele uma pessoa que possui características admiráveis e um coração repleto de amor pelo Senhor e pelo Seu rebanho. Isto fez com que eu tenha visto nele um verdadeiro pastor. E fez com que eu percebesse de forma mais profunda o mistério do Reino de Deus e de como o Rei Jesus age. Com isso não estou relativizando (nem diminuindo, nem alterando) minhas crenças teológicas, mas estou afirmando que, através do Pr. Valter, o Senhor me fez chegar mais perto do reconhecimento da minha condição de humilde servo do Deus Soberano.
Deus usa quem Ele quer, da forma como Ele quer, onde Ele quer, no tempo que Ele quer! E aprouve a Ele usar a vida do Pr. Valter para marcar a minha vida. Toda a glória seja dada a Deus pela vida de Seu bom servo Valter Xavier!
Verdadeira pregação
Atualmente, estou lendo o livro “Pregação e pregadores” de D. Martyn Loyd-Jones, editado pela Editora Fiel. Comecei a leitura, pois tenho sido impelido, neste início de ministério pastoral, a pensar sobre o meu papel como responsável por levar a mensagem do evangelho à congregação que o Senhor me tem confiado, domingo após domingo. Algo que me frustrou durante esses poucos domingos nos quais tenho pregado na IECI é a constatação de que muito dentre a pouquíssima habilidade homilética que pude receber no meu curso de teologia se havia perdido após os anos em que fiquei restrito ao ministério de ensino no Seminário. Por isso decidi voltar às páginas deste maravilhoso livro.
A leitura toda tem sido muito proveitosa. No entanto, achei por bem, para o meu próprio proveito e para o benefício de todos quantos quiserem, reproduzir de modo resumido as características mencionadas por Loyd-Jones do “ato de pregar”, descritas por ele no capítulo cinco do livro mencionado acima:
O envolvimento total da personalidade do pregador: no ato de pregar “todas as faculdades do pregador devem estar empenhadas” (p. 59). O pregador não pode envolver apenas seus lábios na pregação, mas todo o seu corpo e todas as suas emoções devem estar empenhados na ação de proferir a mensagem.
Senso de autoridade: O pregador deve se postar diante de sua congregação como alguém que é comissionado para a sublime tarefa de pregar. O pregador deve se apresentar à congregação na qualidade de um mensageiro enviado (p. 60).
Liberdade: O pregador deve se sentir livre durante o ato da pregação, não estando preso ao que foi preparado de antemão. O pregador deve ser sensível à inspiração do momento (p. 61). A orientação do Espírito Santo deve dar o rumo da pregação. O Sermão só estará pronto depois de pregado.
Interação: O pregador deve atentar para as reações da congregação. Isso será de grande auxílio e encorajamento, pois a congregação pode ser fonte de subsídios para o pregador, se ele se mantiver livre para seguir as orientações do Espírito durante a entrega do sermão.
Seriedade: O pregador “jamais pode transmitir a impressão de que a pregação é algo leviano, superficial, ou trivial” (p. 62). É própria para o pregador uma postura que transmita aos seus ouvintes a suprema importância dos assuntos por ele tratados. Seriedade, contudo, não significa que o pregador deve ser triste, antes ele deve ser “vívido e sério ao mesmo tempo” (p. 63).
Zelo e senso de preocupação: O pregador deve transmitir que está cativado pelo que está dizendo. Por estar absorvido e entusiasmado com o assunto ele se preocupa com os que ouvem. Ele deve estar cônscio das verdades de Deus a ponto de anelar profundamente que sua congregação apreenda essas verdades. O pregador precisa se mostrar totalmente envolvido com o que está sendo pregado.
“calor”: O pregador precisa ser comovente, por já ter sido comovido pela mensagem. Ele jamais pode se apresentar frio diante da mensagem. “Um homem que não se deixa comover por essas coisas [o conteúdo da mensagem], assevero eu, jamais as compreendeu” (p. 65).
Senso de urgência: Porque não se sabe o que se dará entre um sermão e outro, o pastor tem de ter plena consciência de que “A mensagem do evangelho é algo que não pode ser adiado” (p. 66). O pregador cuida de almas e trata de assuntos eternos. Não há nada que seja mais urgente do que isso.
Persuasão: A verdadeira pregação tem como objetivo guias as pessoas até a verdade (p. 66).
Empatia e emoção: O pregador precisa nutrir profunda compaixão pelas pessoas que o ouvem. O pregador precisa amar intensamente a congregação e expressar isso demonstrando sua comoção frente às Verdades que ministra.
Poder: “Se não houver poder, também não haverá pregação” (p. 69). A pregação é ato de Deus através do pregador. O poder de Deus precisa se manifestar através das palavras proferidas por seu mensageiro.
Estas características precisam marcar os púlpitos das igrejas de hoje. Elas precisam urgentemente estar mais presentes em meu púlpito. É com temor e tremor que me coloco diante da minha congregação com a Palavra Viva aberta e tento pregar para ela. Na verdade, ao ler as últimas linhas do capítulo, percebi o quanto estou longe de pregar de verdade. Após mencionar um grande pregador norte-americano do século XIX chamado James Henry Thornwell, D. M. Loyd-Jones declara o seguinte: “Qualquer homem que já conseguiu entrever o que significa pregar, inevitavelmente sentirá que nunca pregou” (p.72). Se Thornwell e Loyd-Jones não sabiam o que é pregar, quanto mais eu! Que gigantesca ignorância e pequenez me assolam! No entanto, como esses grandes homens fizeram no passado, quero também eu nutrir pela graça divina a esperança de um dia realmente pregar de verdade.
Que Deus nos ajude!
Soli Deo Gloria!